Mercado de Trabalho e Empregabilidade sob a Lógica do Capital: Representações Sociais do Secretário Executivo no Amapá

Marília Gabriela Silva Lobato, Yurgel Pantoja Caldas, Arley José Silveira Costa

Resumo


O sistema capitalista, as mudanças no mundo do trabalho e a ideologia da empregabilidade interferem nas representações sobre a condição social e laboral. Assim, este trabalho analisou as representações sociais do Secretário Executivo sobre sua profissão e empregabilidade no mercado de trabalho do Amapá. Quatro bacharéis em Secretariado Executivo empregados, quatro desempregados e quatro acadêmicos de Secretariado Executivo da UNIFAP foram entrevistados. Os discursos foram analisados segundo a teoria das representações sociais. Os secretários caracterizaram seu mercado de trabalho como limitante, com reduzidas remuneração e vagas. A profissão é vista como precarizada, repleta de estigmas negativos e com baixo reconhecimento. Esse quadro é acentuado, embora não produzido, pelas condições econômicas do Amapá que se configuram por reduzido número de empresas, forte presença estatal e políticas públicas voltadas aos grandes projetos que não capilarizam o desenvolvimento. As representações apresentaram a adequação ao mercado flexível e a qualificação permanente como mantenedoras da empregabilidade, evidenciando a influência ideológica e técnica do sistema capitalista. Contraposições individuais ao discurso neoliberal surgem como crítica ao estereótipo da profissão, a precariedade do trabalho e a condição socioeconômica no Amapá que interferem no desenvolvimento da região e na demanda pela força de trabalho do Secretário Executivo. Entretanto, modificar tais representações demanda esforços coletivos, e não apenas individuais, por alterações no contexto da profissão, na forma exploradora como o capital rege o mundo do trabalho e na elaboração de políticas públicas que ampliem o desenvolvimento da região e melhorem a qualidade de vida. 


Palavras-chave


Sistema capitalista. Mercado de trabalho. Empregabilidade. Secretariado Executivo. Representações Sociais.

Texto completo:

PDF

Referências


Aguiar, L. C. (2012). Teoria do capital humano nas políticas públicas para a educação brasileira e catarinense. Atos de pesquisa em educação, vol. 7, n. 1, pp. 2-26, jan./abr.

Almeida, R. de. (2009). A construção da identidade do ser profissional secretário na Região do Grande ABC. 206f. Dissertação de Mestrado, Universidade Metodista de São Paulo. Faculdade de Administração e Economia. São Bernardo do Campo.

Alves, M. A. (2010). O método materialista histórico-dialético: alguns apontamentos sobre a subjetividade. Revista de Psicologia da UNESP, vol. 9, n. 1, pp. 1-13.

Andrade, E. C. de & Boas, M. C. V. (2009). Qual a themata do secretário executivo explorada pelo cinema à luz das representações sociais. Revista Intersaberes, Curitiba, ano 4, n. 7, pp.89-107, jan./jun.

Antunes, R. (1999). O mundo precarizado do trabalho e seus significados. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, vol. 2, n. 1, pp. 55-72.

Antunes, R. (2011)Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e centralidade do mundo do trabalho. 7. ed. São Paulo: Cortez.

Antunes, R. & Pochmann. M. (2007). A desconstrução do trabalho e a explosão do desemprego estrutural e da pobreza no Brasil.

Bakhtin, M. (2006). Marxismo e filosofia da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec.

Boisier, S. (2000). Desarrollo Local: de qué estamos hablando? . In: Becker, D. F; Bandeira, P. S. (Org.). Desenvolvimento local/regional: determinantes e desafios contemporâneos. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, v. 1, pp. 151-185.

Bortolotto, R. M. & Rinald, R. N. (2008). O ensino superior de Secretariado Executivo na região Sul do Brasil. Expectativa: revista do Curso de Secretariado Executivo, Toledo: Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus de Toledo Gráfica Universitária, v. 7, n. 7, pp. 9-25.

Brasil (1996). Lei n. 7.377, 30 de setembro de 1985. Brasília. Recuperado em 22 jun 2013 de .

Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO): Código, título e descrições. Brasília, DF, 2010.

Brandão, M. N. (2010). Formação do profissional secretário executivo na UFC: currículo, competência e cidadania. 225f. Tese de Doutorado em educação, Universidade Federal do Ceará, Faculdade de Educação, Ceará.

Brunner, J. competencias de empleabilidad. (2014).Recuperado em 20 ago. 2014 de

.

Chelala, C. A. (2008). A magnitude do Estado na socioeconomia amapaense. Macapá: UNIFAP.

Ciampa, A. Identidade. (2004). In: Lane, S. T. & M.; Codo, W. (Org.). Psicologia social: o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense.

Freitas, K. (2007) O lugar da secretária: implicações históricas de gênero no trabalho e imagem da profissão. In: ENCONTRO E GESTÃO DE PESSOAS E RELAÇÕES DE TRABALHO, 1., 2007, Natal. Anais... Natal, 2007.

Frigotto, G. (1998). Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século. Petrópolis: Vozes.

Furtado, E. D. P., Lima, K. R. R.& Bezerra, J. E. B. (2014). Competência e empregabilidade: a novilíngua neoliberal. Recuperado em 2 ago. 2014 de .

Jodelet, D. (2001). As representações sociais: um domínio em expansão. In: Jodelet, D. (Org.). As representações sociais. Rio de Janeiro: EdUERJ. pp. 17-44.

Lobato, M. G. S. & Aleluia, M. da S. O bacharel em Secretariado Executivo: uma análise pelo conceito de identidade-metamorfose. 2011. 51 f. Trabalho de Conclusão de Curso de, Secretariado Executivo, Universidade Federal do Amapá, Macapá, 2011.

Lobato, M. G. S. (2015). Mercado de trabalho e empregabilidade sob a lógica do capital: Representações Sociais do Secretário Executivo no Amapá (1998-2011). Dissertação de Mestrado, Mestrado em Desenvolvimento Regional, Universidade Federal do Amapá, Macapá.

Lukács, G. (1974). História e consciência de classe. Tradução Telma Costa. Lisboa: Publicações Escorpião.

Machado, L. R. de S. (1998). Educação Básica, empregabilidade e competência. Revista trabalho e educação, Belo Horizonte, n. 3, jan./jul..

Madeira, M. C. (2014). Representações sociais de professores sobre a própria profissão: à busca de sentidos. Universidade Católica de Petrópolis (UCP). Recuperado em 22 jan 2014 de .

Marx, K. (1996). O capital: crítica da economia política; o processo de produção do capital. Tradução Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. São Paulo: Nova Cultural. Livro primeiro, Tomo 1, v. 1.

Mészáros, I. (2008). A educação para além do capital. Tradução Isa Tavares. São Paulo: Boitempo.

Minarelli, J. A. (2001). Empregabilidade: como ter trabalho e remuneração sempre. São Paulo: Gente.

Nascimento, P. A. M. M., Maciente, A. N.& Assis, L. R. S. de. (2013). As ocupações de nível superior que mais geraram empregos entre 2009 e 2012. Resumo técnico. Radar: tecnologia, produção e comércio exterior 2009-2012, n. 1. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Oliveira, A. de. (2005). Planejamento urbano e geração de empregos: a cidade de São Paulo (Brasil) nos anos 90. Revista Eure, Santiago de Chile. vol. 31, n. 92, pm.47-64, maio.

Orlandi, E. P. (2013). Análise do discurso: princípios e procedimentos. 11. ed. Campinas: Pontes.

Pires, M. F. de C. (1997). O materialismo histórico-dialético e a educação. Interface – Comunicação Saúde, Educação, pp. 83-94, ago.

PORTO, J.L.R. (2003). Amapá: principais transformações econômicas e institucionais (1943–2000). Macapá: SETEC.

PORTO, J.L.R. (2011). Reflexões sobre a condição periférica-estratégica da fronteira amapaense. Para Onde!? Revista eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, vol. 5, n.2, pp. 63-75, ago./dez.

PORTO, J.L.R. & COSTA, M. (1999). A Área de Livre Comércio de Macapá e Santana: questões geoeconômicas. Macapá: O Dia.

RELAÇÃO ANUAL DE INFORMAÇÕES SOCIAIS (RAIS). (2013). Recuperado em 5 jan 2015 de

< bi.mte.gov.br/bgcaged/caged_rais_vinculo_id/caged_rais_vinculo_basico_tab.php>.

Rodrigues, D. (2007). A mercadoria da força de trabalho com parte fundante da reprodução do capital. Universidade e Sociedade, Brasília, DF, ano 17, n. 40, jul. 2007.

Sabino, R. F. (2006). A profissão de secretário executivo no Brasil: políticas para formação e emprego. 213 f. Dissertação de Mestrado em Educação, Administração e Comunicação, Universidade São Marcos, São Paulo

Santos. E. R. (2010). Grandes projetos amazônicos e configuração geográfica do Amapá. In: Interações fronteiriças no Platô das Guianas: novas construções, novas territorialidades. pp. 45-72, Macapá: Publit.

Sen, A. (2000). Desenvolvimento como liberdade. Tradução Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhias das Letras.

Spink, M. J. (1995) Desvendo as teorias implícitas: uma metodologia de análise das representações. In:. Guareschi, P. A., Jovchelovitch, S. (Org.). Textos em representações sociais. 2. ed. Petrópolis: Vozes.

Teixeira, R. C. F. (2003). A passagem do direito ao trabalho para a empregabilidade: privatização do espaço público através das políticas sociais de emprego na contemporaneidade. UNIMONTES Científica, ano 1, v.5. Recuperado em 15 jan 2015 de

.




DOI: https://doi.org/10.7769/gesec.v7i1.386

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2018 Marília Gabriela Silva Lobato, Yurgel Pantoja Caldas, Arley José Silveira Costa

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Sem derivações 4.0 Internacional.

GeSec - Revista de Gestão e Secretariado | São Paulo, São Paulo, Brasil | e-ISSN:2178-9010

Para referências:

R. G. Secr., GESEC.

Licença Creative Commons
Esta Revista está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia