Mercado de Trabalho e Empregabilidade sob a Lógica do Capital: Representações Sociais do Secretário Executivo no Amapá

Autores

  • Marília Gabriela Silva Lobato Universidade Federal do Amapá
  • Yurgel Pantoja Caldas Universidade Federal do Amapá
  • Arley José Silveira Costa Universidade Federal Fluminense

DOI:

https://doi.org/10.7769/gesec.v7i1.386

Palavras-chave:

Sistema capitalista. Mercado de trabalho. Empregabilidade. Secretariado Executivo. Representações Sociais.

Resumo

O sistema capitalista, as mudanças no mundo do trabalho e a ideologia da empregabilidade interferem nas representações sobre a condição social e laboral. Assim, este trabalho analisou as representações sociais do Secretário Executivo sobre sua profissão e empregabilidade no mercado de trabalho do Amapá. Quatro bacharéis em Secretariado Executivo empregados, quatro desempregados e quatro acadêmicos de Secretariado Executivo da UNIFAP foram entrevistados. Os discursos foram analisados segundo a teoria das representações sociais. Os secretários caracterizaram seu mercado de trabalho como limitante, com reduzidas remuneração e vagas. A profissão é vista como precarizada, repleta de estigmas negativos e com baixo reconhecimento. Esse quadro é acentuado, embora não produzido, pelas condições econômicas do Amapá que se configuram por reduzido número de empresas, forte presença estatal e políticas públicas voltadas aos grandes projetos que não capilarizam o desenvolvimento. As representações apresentaram a adequação ao mercado flexível e a qualificação permanente como mantenedoras da empregabilidade, evidenciando a influência ideológica e técnica do sistema capitalista. Contraposições individuais ao discurso neoliberal surgem como crítica ao estereótipo da profissão, a precariedade do trabalho e a condição socioeconômica no Amapá que interferem no desenvolvimento da região e na demanda pela força de trabalho do Secretário Executivo. Entretanto, modificar tais representações demanda esforços coletivos, e não apenas individuais, por alterações no contexto da profissão, na forma exploradora como o capital rege o mundo do trabalho e na elaboração de políticas públicas que ampliem o desenvolvimento da região e melhorem a qualidade de vida. 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marília Gabriela Silva Lobato, Universidade Federal do Amapá

Professora da Universidade Federal do Amapá, Departamento de Filosofia e Ciências Humanas. Mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Amapá.

Yurgel Pantoja Caldas, Universidade Federal do Amapá

Professor da Universidade Federal do Amapá, Programa de Pós-graduação Mestrado em Desenvolvimento Regional e do Departamento de Letras da UNIFAP. Doutor em Literatura comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Arley José Silveira Costa, Universidade Federal Fluminense

Professor da Universidade Federal Fluminense, Departamento de Psicologia do Campus de Volta Redonda. Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo.

Referências

Aguiar, L. C. (2012). Teoria do capital humano nas políticas públicas para a educação brasileira e catarinense. Atos de pesquisa em educação, vol. 7, n. 1, pp. 2-26, jan./abr.

Almeida, R. de. (2009). A construção da identidade do ser profissional secretário na Região do Grande ABC. 206f. Dissertação de Mestrado, Universidade Metodista de São Paulo. Faculdade de Administração e Economia. São Bernardo do Campo.

Alves, M. A. (2010). O método materialista histórico-dialético: alguns apontamentos sobre a subjetividade. Revista de Psicologia da UNESP, vol. 9, n. 1, pp. 1-13.

Andrade, E. C. de & Boas, M. C. V. (2009). Qual a themata do secretário executivo explorada pelo cinema à luz das representações sociais. Revista Intersaberes, Curitiba, ano 4, n. 7, pp.89-107, jan./jun.

Antunes, R. (1999). O mundo precarizado do trabalho e seus significados. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, vol. 2, n. 1, pp. 55-72.

Antunes, R. (2011)Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e centralidade do mundo do trabalho. 7. ed. São Paulo: Cortez.

Antunes, R. & Pochmann. M. (2007). A desconstrução do trabalho e a explosão do desemprego estrutural e da pobreza no Brasil.

Bakhtin, M. (2006). Marxismo e filosofia da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec.

Boisier, S. (2000). Desarrollo Local: de qué estamos hablando? . In: Becker, D. F; Bandeira, P. S. (Org.). Desenvolvimento local/regional: determinantes e desafios contemporâneos. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, v. 1, pp. 151-185.

Bortolotto, R. M. & Rinald, R. N. (2008). O ensino superior de Secretariado Executivo na região Sul do Brasil. Expectativa: revista do Curso de Secretariado Executivo, Toledo: Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus de Toledo Gráfica Universitária, v. 7, n. 7, pp. 9-25.

Brasil (1996). Lei n. 7.377, 30 de setembro de 1985. Brasília. Recuperado em 22 jun 2013 de <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9261.htm>.

Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO): Código, título e descrições. Brasília, DF, 2010.

Brandão, M. N. (2010). Formação do profissional secretário executivo na UFC: currículo, competência e cidadania. 225f. Tese de Doutorado em educação, Universidade Federal do Ceará, Faculdade de Educação, Ceará.

Brunner, J. competencias de empleabilidad. (2014).Recuperado em 20 ago. 2014 de

.

Chelala, C. A. (2008). A magnitude do Estado na socioeconomia amapaense. Macapá: UNIFAP.

Ciampa, A. Identidade. (2004). In: Lane, S. T. & M.; Codo, W. (Org.). Psicologia social: o homem em movimento. São Paulo: Brasiliense.

Freitas, K. (2007) O lugar da secretária: implicações históricas de gênero no trabalho e imagem da profissão. In: ENCONTRO E GESTÃO DE PESSOAS E RELAÇÕES DE TRABALHO, 1., 2007, Natal. Anais... Natal, 2007.

Frigotto, G. (1998). Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século. Petrópolis: Vozes.

Furtado, E. D. P., Lima, K. R. R.& Bezerra, J. E. B. (2014). Competência e empregabilidade: a novilíngua neoliberal. Recuperado em 2 ago. 2014 de <http://www.estudosdotrabalho.org/anais6seminariodotrabalho/elianefurtadokatialimaejoseeudesbezerra.pdf>.

Jodelet, D. (2001). As representações sociais: um domínio em expansão. In: Jodelet, D. (Org.). As representações sociais. Rio de Janeiro: EdUERJ. pp. 17-44.

Lobato, M. G. S. & Aleluia, M. da S. O bacharel em Secretariado Executivo: uma análise pelo conceito de identidade-metamorfose. 2011. 51 f. Trabalho de Conclusão de Curso de, Secretariado Executivo, Universidade Federal do Amapá, Macapá, 2011.

Lobato, M. G. S. (2015). Mercado de trabalho e empregabilidade sob a lógica do capital: Representações Sociais do Secretário Executivo no Amapá (1998-2011). Dissertação de Mestrado, Mestrado em Desenvolvimento Regional, Universidade Federal do Amapá, Macapá.

Lukács, G. (1974). História e consciência de classe. Tradução Telma Costa. Lisboa: Publicações Escorpião.

Machado, L. R. de S. (1998). Educação Básica, empregabilidade e competência. Revista trabalho e educação, Belo Horizonte, n. 3, jan./jul..

Madeira, M. C. (2014). Representações sociais de professores sobre a própria profissão: à busca de sentidos. Universidade Católica de Petrópolis (UCP). Recuperado em 22 jan 2014 de <http://23reuniao.anped.org.br/textos/2027t.PDF>.

Marx, K. (1996). O capital: crítica da economia política; o processo de produção do capital. Tradução Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. São Paulo: Nova Cultural. Livro primeiro, Tomo 1, v. 1.

Mészáros, I. (2008). A educação para além do capital. Tradução Isa Tavares. São Paulo: Boitempo.

Minarelli, J. A. (2001). Empregabilidade: como ter trabalho e remuneração sempre. São Paulo: Gente.

Nascimento, P. A. M. M., Maciente, A. N.& Assis, L. R. S. de. (2013). As ocupações de nível superior que mais geraram empregos entre 2009 e 2012. Resumo técnico. Radar: tecnologia, produção e comércio exterior 2009-2012, n. 1. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Oliveira, A. de. (2005). Planejamento urbano e geração de empregos: a cidade de São Paulo (Brasil) nos anos 90. Revista Eure, Santiago de Chile. vol. 31, n. 92, pm.47-64, maio.

Orlandi, E. P. (2013). Análise do discurso: princípios e procedimentos. 11. ed. Campinas: Pontes.

Pires, M. F. de C. (1997). O materialismo histórico-dialético e a educação. Interface – Comunicação Saúde, Educação, pp. 83-94, ago.

PORTO, J.L.R. (2003). Amapá: principais transformações econômicas e institucionais (1943–2000). Macapá: SETEC.

PORTO, J.L.R. (2011). Reflexões sobre a condição periférica-estratégica da fronteira amapaense. Para Onde!? Revista eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, vol. 5, n.2, pp. 63-75, ago./dez.

PORTO, J.L.R. & COSTA, M. (1999). A Área de Livre Comércio de Macapá e Santana: questões geoeconômicas. Macapá: O Dia.

RELAÇÃO ANUAL DE INFORMAÇÕES SOCIAIS (RAIS). (2013). Recuperado em 5 jan 2015 de

< bi.mte.gov.br/bgcaged/caged_rais_vinculo_id/caged_rais_vinculo_basico_tab.php>.

Rodrigues, D. (2007). A mercadoria da força de trabalho com parte fundante da reprodução do capital. Universidade e Sociedade, Brasília, DF, ano 17, n. 40, jul. 2007.

Sabino, R. F. (2006). A profissão de secretário executivo no Brasil: políticas para formação e emprego. 213 f. Dissertação de Mestrado em Educação, Administração e Comunicação, Universidade São Marcos, São Paulo

Santos. E. R. (2010). Grandes projetos amazônicos e configuração geográfica do Amapá. In: Interações fronteiriças no Platô das Guianas: novas construções, novas territorialidades. pp. 45-72, Macapá: Publit.

Sen, A. (2000). Desenvolvimento como liberdade. Tradução Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhias das Letras.

Spink, M. J. (1995) Desvendo as teorias implícitas: uma metodologia de análise das representações. In:. Guareschi, P. A., Jovchelovitch, S. (Org.). Textos em representações sociais. 2. ed. Petrópolis: Vozes.

Teixeira, R. C. F. (2003). A passagem do direito ao trabalho para a empregabilidade: privatização do espaço público através das políticas sociais de emprego na contemporaneidade. UNIMONTES Científica, ano 1, v.5. Recuperado em 15 jan 2015 de

<http://www.ruc.unimontes.br/index.php/unicientifica/article/viewArticle/80>.

Downloads

Publicado

2016-05-20

Como Citar

Lobato, M. G. S., Caldas, Y. P., & Costa, A. J. S. (2016). Mercado de Trabalho e Empregabilidade sob a Lógica do Capital: Representações Sociais do Secretário Executivo no Amapá. Revista De Gestão E Secretariado, 7(1), 01–26. https://doi.org/10.7769/gesec.v7i1.386

Edição

Seção

COINS 2019