Assédio moral sutil em uma organização pública do poder legislativo

Paula Fernandes Furbino Bretas, Henrique Luiz Caproni Neto, Marcos Júnior Moura-Paula

Resumo


O objetivo neste artigo foi compreender a percepção de práticas de assédio moral e identificar as práticas que favorecem a ocorrência e o combate ao assédio moral na percepção dos trabalhadores de uma organização pública do Poder Legislativo. Amplia-se, assim, o estudo para além de universidades e órgãos do Poder Judiciário, que têm sido as organizações mais recorrentes nas análises. Os dados primários foram coletados mediante um questionário enviado via e-mail e analisados por meio da análise de conteúdo. Como principais achados de pesquisa, tem-se que os trabalhadores não reconhecem a característica de reiteração no conceito de assédio, o que nos faz reconhecer o conceito de violência interpessoal, e que um grande desafio refere-se à dificuldade de se comprovar situações de boicotes e silenciamentos, isto é, de assédio moral sutil. Concluímos que práticas violentas muitas vezes estão em um espectro de maior discricionariedade do gestor. Quanto maior esta, maior a dificuldade de comprovação do assédio moral que ocorre de forma sutil.


Palavras-chave


Assédio Moral; Assédio Sexual; Organização Pública; Violência interpessoal

Texto completo:

PDF

Referências


Bardin, L. (2009). Análise de Conteúdo. 5. ed. Lisboa: Edições 70.

Boaventura, E. (2004). Metodologia de pesquisa: monografia, dissertação, tese. São Paulo: Atlas.

Chapadeiro, B. (2015). Relato de caso de assédio moral num hospital público de SP: entre o (des)serviço e a (in)justiça. In: Gediel, J. A. P.; Silva, E. F. S. & Mello, L. E. (Orgs.). Estado, poder e assédio: relações de trabalho na administração pública. Curitiba: Kairós.

Corrêa, A. & Carrieri, A. (2004). O assédio moral degradando as relações de trabalho: um estudo de caso no poder judiciário. Rev. Adm. Pública, v. 38, n. 6, p. 1065-1084, nov./dez.

Fox, S. & Stallworth, L. (2005). Racial/ethnic bullying: exploring links between bullying and racism in the US workplace. Journal of Vocational Behavior, v. 66, p. 438-456, jun.

Freitas, M. (2001). Assédio moral e assédio sexual: faces do poder perverso nas organizações. Rev. adm. empres., São Paulo, v. 41, n. 2, p. 8-19, abr./jun.

Freitas, M. (2007). Quem paga a conta do assédio moral no trabalho? RAE-eletrônica, v. 6, n. 1, s/p, jan./jun.

Gediel, J. & Mello, L. (2015). Estatuto jurídico do trabalho, formas de regulação e assédio moral. In: Gediel, J., Silva, E. & Mello, L. (Orgs.). Estado, poder e assédio: relações de trabalho na administração pública. Curitiba: Kairós.

Gonçalves, C. & Meirelles, A. (2004). Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas.

Harrington, S., Warren, S. & Rayner, C. (2015). Human resource management practitioner’s responses’s to workplace byllying: cycles of symbolic violence. Organization, London, v. 22, n. 3, p. 368-389, dez.

Heloani, R. & Barreto, M. (2015). Assédio moral nas relações sociais no âmbito das instituições públicas. In: Gediel, J., Silva, E. & Mello, L. (Orgs.). Estado, poder e assédio: relações de trabalho na administração pública. Curitiba: Kairós.

Hirigoyen, M.-F.(2001). Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Irigaray, H., Saraiva, L. & Carrieri, A. (2010) Humor e discriminação por orientação sexual no ambiente organizacional. RAC-Eletrônica, v. 14, p. 890-906, out.

Leymann, H. (1996). The content and development of mobbing at work. European Journal of Organizational Psychology, v. 5, n. 2, p. 165-184, jan.

Lewis, D. & Gunn, R. (2007). Workplace bullying in the public sector: understanding the racial dimension. Public Administration, v. 85, n. 3, p. 641-665, aug.

Linstead, S., Maréchal, G. & Griffin, R. (2010). Special issue on “The dark side of organization”. Organization, v. 31, n. 8, p. 1170-1172, jun.

Linstead, S., Maréchal, G. & Griffin, R. (2014). Theorizing and researching the dark side of organization. Organization, v. 35, n. 2, p. 165-188, feb.

Medeiros, C. (2016). Crimes corporativos: explorando o dark side das organizações. Rev. adm. empres., v. 56, n. 5, p. 419-419, jul./ago.

Mendonça, J. M. B., Santos, M. A. F. & Paula, K. M. (2018). Assédio moral no trabalho: estado da arte e lacunas de estudos. Gestão e Regionalidade, v. 34, n. 100, p. 38-55, jan./abr.

Monteiro, D. (2013). E quando o salário é alto? Um estudo sobre o sofrimento e o adoecimento do servidor efetivo de uma organização pública do Estado de Minas Gerais. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Universidade Católica de Minas Gerais. Belo Horizonte.

Nunes, T., Tolfo, S. & Nunes, L. (2014). Assédio moral no trabalho em universidade sob a perspectiva dos observadores da violência. Revista de Carreiras e Pessoas, v. 4, n. 2, p. 166-176, mai./ago.

Pate, J. & Beaumont, P. (2010). Bullying and harassment: a case of success? Employee Relations, v. 32, n. 2, p. 171-183, jan.

Petri, M., Severo, E. & Guimarães, J. (2015). A produção científica brasileira sobre assédio moral entre 2009 e 2014. Espacios, v. 36, n. 22, s/p.

Pinto, R.; Paula, A. (2013). Do assédio moral à violência interpessoal: relatos sobre uma empresa júnior. Cad. EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 11, n. 3, p. 340-355, set./nov.

Pooli, A. & Monteiro, J. (2018). Assédio moral no judiciário: prevalência e repercussões na saúde dos trabalhadores. Rev. Psicol., Organ. Trab., v. 18, n. 2, p. 346-353, abr./jun.

Ramos, A. (2013). Assédio moral no ambiente laboral. Âmbito Jurídico, v. 16, n. 112.

Salin, D. (2003). Ways of explaining workplace bullying: a review of enabling, motivating and precipitating structures and processes in the work environment. Human Relations, v. 56, n. 10, p. 1213-1232, oct.

Samnani, A.-K. (2013). “Is this bullying?” Understanding target and witness reactions. Journal of Management Psychology, v. 28, n. 3, p. 290-305, mar.

Samnani, A.-K & Singh, P. (2012). 20 years of workplace bullying research: a review of the antecedents and consequences of bullying in the workplace. Aggression and Violent Behavior, v. 17, p. 581-589, oct.

Sayer, A. (2007). Dignity at work: broadening the agenda. Organization, v. 14, n. 4, p 565-581, jul.

Soboll, L. & Heloani, R. (2008). A origem das discussões sobre assédio moral no Brasil e os limites conceituais. In: Soboll, L. Assédio moral/organizacional: uma análise da organização do trabalho. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Speedy, S. (2006). Workplace violence: the dark side of organisational life. Contemporary Nurse, v. 21, n. 2, p. 239-250, mar.

Vasconcelos, Y. L. (2015). Assédio moral nos ambientes corporativos. Cad. EBAPE BR, v. 13, n. 4, p. 821-851, out./dez.

Yin, R. (2001). Estudo de Caso: planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman.

Wang, Q, Bowling, N. A., Tian, Q., Alarcon, G. M. & Kwan, H. K. et al. (2018). Workplace harassement intensity and revenge: mediation and moderation effects. Journal of Business Ethics, n. 151, p. 213-234, aug.




DOI: https://doi.org/10.7769/gesec.v11i3.1091

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2020 Paula Fernandes Furbino Bretas, Henrique Luiz Caproni Neto, Marcos Júnior Moura-Paula

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Sem derivações 4.0 Internacional.

GeSec - Revista de Gestão e Secretariado | São Paulo, São Paulo, Brasil | e-ISSN:2178-9010

Para referências:

R. G. Secr., GESEC.

Esta Revista está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia